domingo, 28 de janeiro de 2018

O Dia


Era chegado o dia, verdade o dia de natal
E com ele vinham as recordações
De ti, de como passavamos esses  dias de festa
Começava sempre na noite de vinte e três para vinte e quatro
Com um grande alguidar de barro
E com carinho, amassavas as felhoses de abobora
Num outro os couscurões
Era engraçado, pedias sempre para agarrarem o alguidaar
Depois la vinha bomba
No fim da massa estar bem amassada levavamos com ela na cara
Todos os anos era o mesmo, mas gostavamos
Eram tão bons, os teus fritos sempre feitos com amor
Mas já te foste, já não tenho esse prazer
De te ter comigo, mas deixaste-me o bichinho
Hoje sou eu que faço, tal como tu
Amasso a massa, chamo um dos teus netos e la vai bomba
Verdade, agora são homens e continuam a cair na mesma
Também eles como eu, lembram se de ti e como fazias
Faço com amor, muitas das vezes como tu sem poder
Mas ter o prazer de estarmos juntos
Mãe e filhos e agora netos também
E mais um ano quase passado
Espero poder estar á altura de mais um natal
De conseguir passar esse dia de boas recordações
Rodeada dos teus netos e bisnetos
Obrigado mãe, por me teres passado esses valores
Valores da família e de tradições
E está chegando
Chegando o dia


Dádiva

Pela primeira vez, a Carlota passava a época natalicia com a sua avó, esta estava já meia doentada, mas lá ia fazendo as suas coisas, a Carlota ajudava no que podia, assim que vinha da escola , lá ia ela a ajudar a sua avozinha.
Os pais da Carlota trabalhavam na agricultura, eram muito pobres, e nem sempre podiam dar o que a Carlota queria, mas havia sempre o pão fresquinho feito ali mesmo em casa no forno a lanha, e os legumes sempres fresquinhos as frutas, ela tinha tudo do melhor, tinha o amor incondicional dos seus pais, vivia feliz a Carlota.
Mas, sabia que tinha primos e tias, tios, enfim tinha a familia que não conhecia, foi então que em casa da sua avó que decidiu escrever uma carta ao pai natal.
Pai natal, quero pedir-te um presente, mas não quero brinquedos, eu gostava de conhecer a minha familia, podes leva-los para casa da minha avó no natal??não te peço mais nada, há queria também que a minha avozinha não fosse para o céu, quero tê-la sempre aqui comigo, ela está doentinha, podes passar uma receita para ela ficar boa?? Pronto não peço mais nada,obrigada querido pai natal.
Assim escreveu ela, ao pai natal, deu de seguida a carta a sua mãe para que pusesse no correio, e assim foi, a Carlota ficou contente  por ter escrito a carta ao pai natal, a mãe leu a carta, e não conteve as lagrimas, e ficou pensativa, como iria ela fazer com que a familia se juntace?
Como iria ela embrulhar a receita para a avó,  estava confusa, não sabia o que fazer, decidiu falar com a Carlota, e disse-lhe.
-Sabes filha o pai natal ligou esta manhã cá para casa, e disse que não conseguia arranjar os presentes que pediste, e para escreveres outra carta com outros presentes, a Carlota ficou triste, e disse que não queria outros presentes, então a mãe disse-lhe que iria falar com o pai natal.
Entretanto o tempo passou , vieram as férias de natal, e a Carlota estava radiante, era quase natal, ela estava feliz junto da sua avó, até já prepararam a salinha para a noite de natal, estava linda de verde e vermelho, e a lareira , a lareira parecia tirada de um filme, estava linda com as meias la penduradas, há e tinha a cafeteira ao lume a fazer cafe, cheirava bem.
Já era natal, e a Carlota ajudou a fazer as rabanadas, os filhoses, e os couscurões, estava tudo tão lindo, e os pais trouxeram as batatas da terra e as couves, para fazer o celebre bacalhau, estavam felizes, a avó, o pai e a mãe da Carlota, e ela também estava, mas faltava ali qualquer coisa, o resto da familia.
Mas na noite de natal, já estavam todos para se sentar à mesa, quando senão ouvem a tocar à campainha, tlim tlão, tlim tlão, ficaram admirados há quela hora tocarem á porta, foram lá ver, e era alguém que não tinha casa, nem comida, não tinha natal, a mãe da Carlota deu uma moeda e fechou a porta, desejando uma boa noite, mas a menina não ficou contente, foi abrir a porta e convidou o senhor a entrar, os pais e a avó ficaram surpresos, mas não disseram nada, foram então todos para a mesa, já estavam a começar a comer, toca a campainha outra vez, tlim –tlão, tlim-tlão, a carlota disse , eu vou eu vou lá, e foi, ao abrir a porta qual foi o seu espanto, ao ver tanta gente junta miudos e graudos, verdade e ela nem os conhecia, mandou entrar, ficou feliz quando ouviu a avó a chorar a chamar pelo seu filho e pelas suas filhas, e restantes netos, é claro que o jantar ficou logo em segundo plano, agora era altura de carinho, de apresentações, mas claro a Carlota nem precisou de apresentações, foi se logo agarrando ao pescoço do tio e das tias, dizendo estar feliz, comprimentou os primos e as primas que eram nove, eram muitos.
Lá foram jantar, e o jantar prelongou-se pela noite dentro, foram conversando metendo a conversa em dia, e chegou a hora da ceia, e mantiveram se por ali á lareira conversando, recordando velhos tempos, as crianças ja dormiam, espalhadas pelo chão da sala e no sofá, até o senhor que andava por ali a pedir, adormeceu também ao lado da lareira, no cadeirão que ali estava, assim se passou a noite, foram todos descansar.
Pois nessa noite, a Carlota se levantou, para ir ver junto á chaminé se o pai natal já tinha vindo, mas parecia que não, e voltou a deitar se e adormeceu.
Tocam os sinos da igreja, la perto de casa da avó, e a Carlota acorda, e vai a correr para a lareira, e não havia prendas , ficou um pouco desanimada, mas a sua mãe entregou-lhe um embrulho, era ainda grandinho, dizendo:
-Olha Carlota querida, o pai natal deixou esta prenda para ti, foi so o que ele pode arranjar, visto que não querias brinquedos.
A menina foi-se sentar no sofá e rasgou o papel todo, para abrir a prenda, era uma moldura linda dourada, com o retrato da sua avó , ficou contente e foi a correr mostrar a sua avó o que o pai natal lhe oferecera este ano, assentou-se a avó e a Carlota, e a avó, disse-lhe:
-Sabes, sei que pediste ao pai natal que eu não fosse para o céu, querias me sempre contigo, mas a avó tem que ir ter co o avô, já não falta muito, e assim com esse retrato vês sempre a avó, e estarei sempre contigo, no teu coração, por isso não fiques triste quando a avó partir, está bem? Deram um longo abraço chorando as duas.
Mas o dia continuou, a familia estava reunida, estavam todos felizes, já no fim do dia as despedidas surgiram, com a promessa de voltarem mais vezes, a criançada foi toda contente para casa com os bolsos cheios de guloseimas, estavam felizes.
A Carlota, essa estava radiante, escreveu ao pai natal a agradecer.

Querido pai natal, obrigada por mandares o presente que pedi, foi o natal mais lindo que tive até agora, embora só tenha 7 aninhos, mas nunca me lembro de ter a família junta, e o pedinte, que também não tinha natal, assim teve ele também uma família, um aconchego, uma refeição e não dormiu nessa linda noite na rua, obrigada pai natal, já agora obrigada pela moldura com o retrato da avó, assim vejo a todos os dias, mesmo que se vá, sabes pai natal estou feliz, espero que tenhas feito todas as crianças feliz, e que todos tenham uma noite tão linda como a minha, até para o ano pai natal.

domingo, 21 de agosto de 2016

Amarras

Escuto os carros lá fora
Escuto o amanhecer acontecer
Vislumbro a lua e as estrelas ao anoitecer
Mas sinto a vida com amarras
Nestas quatro paredes
Que encobrem a vida la fora
Quero soltar-me quero viver
Minha alma grita em todos os sentidos
Mas aqui estou com estas amarras que me prendem
Que não me deixam respirar liberdade
Só quero fugir daqui ir para bem longe
Sentir-me solta escutar o grito da águia
O som do mar e dos seus lamentos
Das ondas enraivecidas nas rochas a bater
Quero nas asas do vento voar
Voar em todas as direções
Sentir meu corpo através do vento da chuva
Sentir-me livre
Quero estas amarras deixar
Nem que seja a ultima coisa que faça
Quero pela ultima vez sentir-me livre
E o grito da águia escutar


                                                               Glória Fernandes

quarta-feira, 30 de março de 2016

A vida e os momentos


O sol esta lindo e radiante
As crianças brincam no jardim
Até aquela pequena aranha,
Reconstroi a sua intrínseca teia
Foi assim que dei por mim
Olhando a vida há minha volta
Vendo que afinal tudo vale a pena
Até o nosso próprio sofrimento
Que nos mata, que nos desfaz, por dentro
Mas crescemos, aprendemos
Aprendemos a dar valor há vida
A olhar de forma diferente
De ver até o que não víamos até ali
E hoje apeteceu-me escrever
Escrever e descrever
O quanto a vida é bela
O quão pequenos somos
Perante este vasto universo
O quão pouco tempo temos
Por isso decidi, descrever nestas linhas
A vida e os momentos
Que podemos usufruir dela
Sonha e ama, vive e desfruta
Compartilha sentimentos e agonias
Corre atrás do que desejas
Não pares no tempo, pois ele voa
E quando se dá conta, já passou
Já passou o nosso tempo
Por isso vive a vida, vive os momentos
Aproveita cada golfada de ar que respiras
Vive tudo a que tens direito
Com humildade, com carácter
Com amor, com paixão, com tesão

Teu anjo teu diabo




Apareci na tua vida
Nem fazias conta com tal
Desejaste com muita força
Que um dia fosse tua
Não desestiste correste atrás
Por fim conseguistes
Mas deste conta que afinal
Eu não era mais
Que a força que te faltava
Era o teu amor
O teu bem o teu mal
O teu anjo o teu diabo
Mas  mesmo assim
Seguiste em frente
Não tiveste receio de batalhar
E as batalhas da vida vencer
Com tudo que há em mim
Com a minha força
Com a minha rebeldia

Mas acima de tudo com o meu amor

sábado, 25 de abril de 2015

Eu e a Lua
Eu estou assim
Fazendo companhia há lua
Esperando pela tua companhia
Teimas em não chegar
Fico desolada
Por ti tanto esperar
Que fazer não sei
Vou esperando
Até quando não sei
Mas hoje estou assim
Fazendo companhia
Companhia á lua

Glória Fernandes

terça-feira, 7 de abril de 2015

Um Dia

Um dia
Um dia me cansei
Sentei me ali mesmo
No beiral da porta
Fiquei olhando
Para onde nem sei
Só sei que estava ali
Ali sentada como que vazia
Vazia por fora e por dentro
Um dia
Um dia pois foi nesse dia
Que me sentei no beiral
Perdi me horas a fio
Olhando afinal para onde
Não queria querer
Mas estava olhando me
Estava fazendo uma incurssão
De mim mesma
Um dia cansei
Adicionar legenda

No beiral me sentei
Mas valeu a pena o tempo
O tempo que fiquei olhando
Afinal quem era eu?
Foi boa a viagem ao meu ser
Ao meu eu hà minha alma
Agora sei porque cansei
Agora sei porque existo
Agora sei quem sou
Agora sim estou cheia
Cheia de vida de amor
De tudo para poder dar
Para poder mostrar quem sou
Um dia me sentei no beiral
Nesse dia morri
Nesse dia de novo nasci


Glória Fernandes